terça-feira, 31 de agosto de 2010

verso solto

 Deixa o verso fluir.
 A emoção surgir.
 Pare! Libere o poema.
 Deixe-o escolher o tema.

 Não planejes o verso.
 Deixe-o solto.
 Passeando no universo.
 Até que a seu gosto,
 Encontre o papel.
 Assim como na tela toca o pincel.

 autora: Andriele Luzia da Silva

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

sombras de um passado triste

 A vida eh complicada as vezes, ou nós complicamos ela.Tudo se passou os abusos, as palavras torpes, a dor a angustia, mas deixou pra trás marcas doloridas do tempo, que o vento vai apagando suavemente, como a areia sendo levadotodo o passado, que jáz encalacrado na alma de uma poeta apaixonada. Toda a espessa cerraçao negra se dissipa a minha frente, e eu já tão acostumada com as sombras, tento me me adaptar ao dia que amanhece aos poucos apesar de andar de dia as sombras se enraizaram no coração me fazendo carregar uma eterna sombra de um passado triste.Quem se importa com sombras? Mas elas estão ali.

 autora: Andriele Silva

domingo, 29 de agosto de 2010

identidade perdida

perdeu seu tempo tentando ser o que nao era.
construiu toda sua vida em uma quimera.
que és tu? fruto do pecado.
que és fruto? o que devia ter acabado.

ja nao sei o passado, nao há presente, que será futuro.
vago no imenso vazio do mudo silencio.
a intensa procura do que se perdeu.
quem sou eu?

nesse momento nao penso, a mente a vagar.
tentando talvez em algum canto encontrar.
aquilo que tao estimado,devia permanercer.
a imagem que se foi com a doce inocencia.
quando em mim algo começou a alvorecer.
eliminando minha perdida essencia.

corpo vazio?
ah! se eu pudesse traduzir as lagrimas.
encontrar vida no reflexo.
aprender a corrigir falhas.
decidir que serei eu semnenhum anexo.
assim, puramente aquela imagem.
aquela figura tao embrutecida.
a qual muitos fogem.
com medo que lhe toquem a ferida

  autora: andriele luzia da silva

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

jose de alencar

Poema à boca fechada


Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.