segunda-feira, 4 de outubro de 2010

alvares de azevedo

Estou agora triste. Há nesta vida
Páginas torvas que se não apagam,
Nódoas que não se lavam... se esquecê-las
De todo não é dado a quem padece...
Ao menos resta ao sonhador consolo
No imaginar dos sonhos de mancebo!
Oh! voltai uma vez! eu sofro tanto!
Meus sonhos, consolai-me! distraí-me!
Anjos das ilusões, as asas brancas
As névoas puras, que outro sol matiza.
Abri ante meus olhos que abraseiam
E lágrimas não tem que a dor do peito
Transbordem um momento...
E tu, imagem,
Ilusão de mulher, querido sonho,
Na hora derradeira, vem sentar-te,
Pensativa e saudosa no meu leito!
O que sofres? que dor desconhecida
Inunda de palor teu rosto virgem?
Por que tu’alma dobra taciturna,
Como um lírio a um bafo d’infortúnio?
Por que tão melancólica suspiras?
Ilusão, ideal, a ti meus sonhos,
Como os cantos a Deus se erguem gemendo!
Por ti meu pobre coração palpita...
Eu sofro tanto! meus exaustos dias
Não sei por que logo ao nascer manchou-os
De negra profecia um Deus irado.
Outros meu fado invejam... Que loucura!
Que valem as ridículas vaidades
De uma vida opulenta, os falsos mimos
De gente que não ama? Até o gênio
Que Deus lançou-me à doentia fronte,
Qual semente perdida num rochedo,
Tudo isso que vale, se padeço!
Nessas horas talvez em mim não pensas:
Pousas sombria a desmaiada face
Na doce mão e pendes-te sonhando
No teu mundo ideal de fantasia...
Se meu orgulho, que fraqueia agora,
Pudesse crer que ao pobre desditoso
Sagravas uma idéia, uma saudade...
Eu seria um instante venturoso!
Mas não... ali no baile fascinante, 
Na alegria brutal da noite ardente,
No sorriso ebrioso e tresloucado
Daqueles homens que, pra rir um pouco,
Encobrem sob a máscara o semblante,
Tu não pensas em mim. Na tua idéia
Se minha imagem retratou-se um dia
Foi como a estrela peregrina e pálida
Sobre a face de um lago...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

sonhos esmagados














Você bloqueia um grito
Esmagando um sonho
Feito o esquema real
Mostre a este pecador seu Deus precioso
Desprenda a culpa de meus ombros
Com um pensamento simples
Mostre-me o prazer da vida
E como isso é travado
Não apenas o ar eu respirei
Ou o sonho eu me esqueci...
O último sorriso
A última palavra
É hora de enfrentar o resultado final
O pagão
As ações atéias
Cair...
Profundamente...
Seu vácuo se fez completo

Elimine...
Extirpe

Preparando para a morte
Esperando a luz brilhar sobre nós
Desejando o sol cair sobre nossas cabeças
Mostre-nos a alegria no mundo em que estamos vivendo
Ponha nossos sonhos no pecado

Sua primeira respiração
Os badalares distantes
Estes seus sinos foram feitos para chamar por
O pagão
As ações atéias
Rasteje
Profundamente
A última hipocrisia

Ande no caminho
O caminho brilhante

Eleve esta oração para as alturas do céu
Alimente minha mente com os mais gloriosos pensamentos
Sacrificando todos meus sonhos
Por este eu servirei e honrarei à morte
Ou faço eu apenas medo da ira do tirano

terça-feira, 28 de setembro de 2010

só você

Porque nós amamos as pessoas erradas ?? se pudessemos escolher seria tudo tão perfeito.
Eu amaria só vc e seriamos o ideal um para o outro , como as estrelas que estão tão 
distantes, mas jamais estão sozinhas . Hoje tenho que te ver em outros braços, e em silencio
engolir as lagrimas que escorrem de meu coraçao retalhado. E quando vc chorar por outra pessoa
estarei aqui para cuidar de vc , magoando mais e mais meu coraçao. Porque outra pode te-la, 
mas quem cuidara de suas feridas e o ombro que vc chora ao menos isso eh meu, ao menos te tenho
sempre por perto, e cuidarei de ti ate o fim...Para alem da eternidade. Porque eu quero só vc.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

farther away

Ja estou ficando fora de mim , cada vez mais longe de
quem ja fui um dia , talvez nunca mais me encontre nesse
mundo vil, ja nao importa quem fui , quem sou ou
quem serei, seguirei em frente , pronto pra te
enfrentar sem medo o que vier eh lucro ate mesmo
a morte seria um presente inestimavel.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

longe de mim mesmo


Estou longe de mim mesmo,
Vagando em pensamentos,
Oprimindo meus sonhos,
Desprezando meus desejos.

Longe das fantasias,
Longe dos entusiasmos,
Vivendo a realidade
Sobrevivendo de um passado.

Estou longe de mim mesmo,
Vivendo o que mais temo,
De corpo cansado e alma morrendo!
Olhos vendados, pés amarrados
Punhos fechados, amargo veneno.

Longe de mim mesmo!
No suicídio dos meus dias,
Eu vou me entorpecendo,
Matando as alegrias,
Matando-me por dentro.

Estou muito longe!
Muito longe de mim mesmo!
Estou longe de mim mesmo,
Vagando em pensamentos,
Oprimindo meus sonhos,
Desprezando meus desejos.

Longe das fantasias,
Longe dos entusiasmos,
Vivendo a realidade

Sobrevivendo de um passado.
Estou longe de mim mesmo,
Vivendo o que mais temo,
De corpo cansado e alma morrendo!
Olhos vendados, pés amarrados
Punhos fechados, amargo veneno.

Longe de mim mesmo!
No suicídio dos meus dias,
Eu vou me entorpecendo,
Matando as alegrias,
Matando-me por dentro.

Estou muito longe!
Muito longe de mim mesmo!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

unico

Não consigo me lembrar de nada
Não consigo dizer se isto é sonho ou realidade
Dentro de mim sinto vontade de gritar
Este terrível silêncio me prende

Agora que a guerra acabou comigo
Eu acordo e não posso ver
Que não resta muito de mim
Nada é real a não ser a dor agora

Prendo a respiração enquanto desejo morrer
Oh, Deus, por favor acorde-me

De volta ao útero é muito real
Para dentro injeta-se a vida que tenho de sentir
Mas não posso olhar para frente e imaginar
Ver a vida que terei

Alimentado por tubos enfiados em mim
Como num romance de guerra
Ligado a máquinas que me fazem existir
Cortem esta vida de mim

Prendo a respiração enquanto desejo morrer
Oh, por favor, Deus acorde-me

Agora o mundo desapareceu, eu sou o Único
Oh, Deus, ajude-me a prender a respiração enquanto desejo morrer
Oh por favor Deus ajude-me

Trevas aprisionando-me
Tudo o que vejo: horror absoluto
Não consigo viver
Não consigo morrer
Preso dentro de mim mesmo
O meu corpo é a minha cela

Campo minado arrancou-me a visão
Arrancou-me a fala
Arrancou-me a audição
Arrancou-me os braços
Arrancou-me as pernas
Arrancou-me a alma
Deixou-me com a vida no inferno